Tudo é Força

Para nós isto está claro. Para nós não existem dúvidas. Mas o que é isso de “Tudo é Força”?
Nos últimos três anos temos palmilhado o país em pequenas, médias e grandes formações a falar sobre o tema da Força. E quase sempre no início deixamos claro à nossa audiência a nossa posição – Tudo é Força. E quando dizemos que tudo é Força queremos mesmo dizer que Tudo é Força.
Se vocês pensarem bem, o mínimo gesto que tentem fazer tem sempre que começar com uma ação de força – levantar da cama, carregar no botão do comando, correr rápido, correr lento, etc –  qualquer coisa começa sempre com uma ação de força. E só nesta frase já apresentamos diferentes formas de “vermos” a Força. É sobre isto que vamos escrever hoje…..
Lonley-Barbell

O princípio de tudo

A força é a origem da motricidade, do movimento. A Força é, portanto, a única capacidade física base, presente em todas as outras. Por vezes isto pode até parecer difícil de perceber principalmente quando vemos alguém correr 100m em menos de 10seg ou fazer 42Km em 2horas e 1minuto – temos logo a tendência em avaliar estas performances de acordo com Velocidade e Resistência, respetivamente. No entanto, se nos focarmos no princípio de tudo, encontramos a Força e a partir daqui, sempre que o atleta dá uma  passada (referindo-nos aos exemplos em cima) o que estamos a ver é a aplicação dessa força (idealmente máxima mas falaremos disto noutro artigo)  um número de vezes determinado. Fica agora também mais simples percebermos que estas diferentes aplicações da Força são na verdade apenas formas diferentes de exprimi-la ou até de a avaliar.
Como exemplo, ao quererem expressar a vossa “Resistência” (leia-se ao que hoje a Ciência do Treino Desportivo chama e reconhece como Resistência) o que estão a fazer na verdade é a começar com a Força e aplicá-la o número de vezes necessária para terminar a vossa tarefa. Na verdade, na “Velocidade” acontece exatamente o mesmo, mas devido às variáveis distância e tempo, exprimem essa Força com características diferentes. Então, “Velocidade” e “Resistência” são expressões da Força num mesmo eixo, tempo, mas aplicadas numa distância diferente.

E o que dizer sobre a Flexibilidade?

ginastaBom, há muito a dizer sobre a Flexibilidade mas isso terá de ficar para outro artigo. Neste momento vamos ficar-nos no âmbito deste artigo pelo que a questão que se aplica é, será a “Flexibilidade” também uma expressão da Força? Sem dúvida alguma. Os “braços” da Força estendem-se e confundem-se naquelas que hoje reconhecemos como as outras Capacidades Condicionais- como vimos no parágrafo anterior, na “Velocidade” e na “Resistência” mas também na Flexibilidade. Reparem, em contexto de movimento, é impossível alongar um músculo sem que aconteça uma de duas coisas – produção de Força em regime de ação excêntrica e/ou produção de Força em regime de ação concêntrica, neste caso pelo antagonista. Conseguimos perceber em ambos os casos, para uma Amplitude de Movimento Máxima temos produções de Força também muito altas (como podemos ver pelo exemplo da foto).
Como dissemos no início deste parágrafo, há muito a dizer sobre a Amplitude de Movimento (nome para a “flexibilidade” muito mais alinhado com a prática do treino desportivo e muito menos fracturante) pelo que temos mesmo de deixar para outro artigo mas que fique claro, que para nós, a “Flexibilidade” é a expressão da Força nas diferentes Amplitudes de Movimento, máximais ou submaximais e que, na prática do treino desportivo, questionamos até a sua lógica de “existência” e forma de aplicação, de acordo com o conhecimento atual.

As estruturas envolvidas

Como vimos até aqui, a aplicação da Força toma diferentes formas. halterofiliaA estas formas de expressão de Força, não podemos dissociar um outro conceito – a complexidade das estruturas envolvidas. O que nos leva a outra forma de expressão da Força, se quisermos até, à forma mais natural de expressão da Força, a Coordenação.De facto, ao analisar o movimento, podemos fazê-lo de acordo com as diferentes estruturas e complexidades associadas a si – desde a unidade mais pequena de expressão da Força, o sarcómero passando depois para as fibras, o músculo, relação agonista antagonista até ao movimento mais complexo que envolve  todo o corpo humano através das suas cadeias cinéticas.

Para concluir

Sempre que olhamos para o movimento humano, o que estamos a ver é Força a ser aplicada nas suas diferentes formas de expressão, amplitudes e complexidade. Percebemos então que a Força, quer no seu sentido absoluto quer nas suas diferentes aplicações, depende de vários fatores. Esta visão aparentemente simplista conserva em si na verdade uma complexidade enorme  mas como todas as jornadas de dez mil passos começam com apenas um, também todo o movimento humano tem a sua génese na Força.
Estes temas são abordados com maior pormenor e enquadramento nas nossas formações das quais brevemente daremos mais novidades. Fica para já um…
Até breve

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