No Pain More Gain

Sim, leu bem! No Pain, More Gain. É muito Simples.

De alguma forma, através dos vídeos “motivacionais”, das imagens de atletas a suar e com cara de esforço, das publicidades das marcas de suplementação e roupa desportiva, etc, foi-se criando a ideia que se o treino/exercício não dói é porque não faz efeito. Existem muitos atletas, e também “não atletas”, a acreditar nisso mas nada podia estar mais longe da verdade.

A fadiga é o Inimigo nº1 a combater

Para um melhor rendimento desportivo, o atleta tem de estar “fresco”, sem acumular fadiga excessiva e sem dor. Se o músculo doí, no mínimo, estou cansado, sem possibilidade de render desportivamente e num momento de alto risco de lesão com óbvias consequências limitativas para os meus treinos. Para entendermos o que está subjacente a toda esta ideia, temos de perceber então que Quantidade não é Qualidade pelo que não é necessariamente melhor treinar mais. Ir ao meu limite não é sinónimo de terminar o treino a cair de lado. E isto é válido para qualquer modalidade, cíclica ou acíclica.

O Futebol, a Maratona e o Ténis

Se até pode ser mais simples perceber esta lógica em modalidades altamente explosivas, por exemplo a prova de 100m no Atletismo, a mesma “facilidade” de análise não se verifica para modalidades como o Futebol (ou outro desporto coletivo), ou mesmo em provas longas como a Maratona, Trail e Ténis, Natação (independentemente da distância) ou Remo (pressuposto igual à modalidade anterior).aquecimento-felipe-meligeni-mateus-bordin-rafael-zucollo-e-renan-santos

Numa primeira análise, somos tentados a olhar para estas disciplinas e dizer que a Quantidade (em forma de Resistência) é fator fundamental e decisivo para o resultado nestas modalidades, mas na verdade, ainda que esta capacidade tenha a sua relevância, não é de todo aquela que vence a competição (ler o artigo anterior pode ajudar).

Quem venceu o Campeonato do Mundo de Futebol? (atrevo-me até a perguntar quais foram as quatro seleções que chegaram ao top 4?) Quando olham para os jogadores destas equipas, é a “Resistência” que salta aos olhos ou é a capacidade explosiva que lhes permitiu chegar à bola mais rápido que os adversários, saltar mais alto ou rematar mais forte?

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Quem vence a maratona, aquele que consegue chegar ao fim ou aquele que percorre a mesma distância que os outros mas mais rápido?

 

Qual é a lógica de andar a “fazer piscinas” de um lado para o outro se eu só vou competir em 50m ou 100m ou 200m? O que é que eu ganho em  “dar voltas ao campo” se sou jogador de futebol?

O que é que me vai cansar mais, “fazer piscinas” ou ser altamente seletivo para criar os estímulos que mais têm expressão na minha modalidade.

Para concluir

Esta mudança de paradigma, de forma de olhar para o treino é mais complexa do que se apresenta aqui. Na verdade, é necessário olhar para a Matriz Fisiológica das diferentes modalidades e vê-las de uma perspetiva oposta àquela que tem vigorado ano após ano e agora ainda mais reforçada com as tais imagens que falávamos no início. 

fbimgNós não podemos treinar em Quantidade (de estímulo) se aquilo que queremos é Qualidade (de estímulo) – sermos mais rápidos e mais fortes. Cuidado, a Performance Desportiva não é “moda”, não é vídeo promocional ou Fitness, da mesma forma que um carro de Fórmula 1 não é um citadino.

Vemo-nos daqui a uma semana!